sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A aventura continua...

Chegámos a Beja, capital do baixo Alentejo. Deixámos a capital do norte alentejano pelas nove. O dia adivinhava-se menos quente que o normal. Mas afinal, estamos no alentejo certo? O termómetro chegou bem perto dos quarenta. A paisagem continua árida. A primeira paragem foi em Reguengos de Monsaraz onde se deram ao luxo de nos pedir €1.10 por um pastel de nata. Em Lisboa, se a memória não me atraiçoa, o preço pára na primeira casa decimal... Enfim. Depois continuámos e parámos em Monsaraz: uma aldeia, no meio do nada, em cima de um monte, donde se começa a ver a grande barragem do Alqueva.
Uma foto, tirada de uma das torres de menagem:

Vale a pena fazer muitos quilómetros para visitar esta pequena vila. Não longe, o almoço, em Mourão. Outra pequena vila, em tudo parecida a Monsaraz. Ponto negativo: A fortificação ainda que mereça ser observada de perto pelo facto de que podemos dar a volta quase por completo, tem como inconveniente o facto de não haver protecções. Pode ser perigoso para pessoas com insuficiência cardíaca, pessoas com tendências suicídas e pais que não tendo tendências homicidas, estejam fartos dos filhos =)
Também daqui se pode ver a enorme albufeira da barragem do alqueva.
Continuando o caminho, depois de um almoço no "Bragança" (onde quem come fica com pujança =)) fomos à aldeia da Luz.
Como não lembrar a aldeia submersa pelas águas da barragem...
Uma estrada que acaba no nada, milhões de litros de Àgua, ali há pouco, contrastando com a sempre presente aridez, os animais, chaparros e oliveiras. Pudémos ver a nova aldeia da Luz. Quantas daquelas casas (que foram a ulteriori demolidas) viram a morte e a vida, lado a lado. Alegrias e tristezas. Tantos que viram partir para não mais voltar. Para o Brasil no início do século, para o ultramar, para o estrangeiro...
Fiquei triste ao ver o cenário. Deixo-vos uma foto que penso ilustrativa: eu que caminho, na estrada que acaba no nada para continuar muitos metros à frente, intercortada pela àgua, a mesma estrada onde passaram tantos para visitar a antiga aldeia da Luz.

Foi por esta estrada que agora desaparece no nada, que passaram os corpos dos entes queridos, os móveis, as vidas, as angústias, as desilusões, para as plantar, não longe, a uns 400metros de onde me encontrava.
Foi a coisa que mais me impressionou desde que comecei a viagem. Não é que não tenha visto, visitado ou vivido coisas fantásticas. Foi diferente e impressionante. Há quem se impressione com a capela dos ossos de Évora onde se podem contar perto de 5000 crânios e outros ossos... A mim impressionou-me mais a aldeia da Luz, a verdadeira, que jaz para sempre sob a pesada àgua.
A albufeira vista da aldeia da Luz:


Pouco depois visitamos o museu da Luz. Infeliz porque pinta os habitantes de uma cor que os faz parecer uma espécie de animal que já não existe. Um documentário passa até à exaustão numa sala adjacente. Gasto, baço, com uma péssima qualidade de imagem e pior ainda de som num período de tempo, que sem conseguir precisar, ultrapassará facilmente a meia-hora.
Saindo de lá rumámos a Beja onde chegámos ainda cedo. Pudémos visitar a cidade depois de um banho merecido.
Agora já jantámos, xixi e cama. Amanhã continua-se ainda para sul. Sairemos do Alentejo? A ver vamos :)
Na chegada a Beja:

Há coisas mesmo fantásticas, outras, sendo fantásticas, fazem com que provemos outros sentimentos.
Sem dúvida por isso, Há coisas fantásticas não há?

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