Sábado, 10 de Setembro de 2011

11 de Setembro, 10 anos

Parece que não, mas já lá vão dez anos.
Era uma tarde quente a daquele dia do final do verão. As pessoas, na aldeia, descansavam depois de uma manhã de afanos e trabalhos no campo. Terminava o telejornal e às 13:48 acontecera o impossível. Um avião comercial entrara numa das torres do World TRADE Center em Nova Iorque. Dois minutos depois, o mundo inteiro via uma torre em chamas, tão grande, tão grande que seria preciso sair do país para ter uma referência. Com o mundo, a pacatez de Dornelas também olhava incrédula o sucedido. Menos de 15 minutos depois, o mundo viu em directo um segundo impacto. Se do primeiro não havia imagens, o segundo está bem documentado. TODO o mundo viu. Uma hora e meia depois colapsam as Torres e com elas a esperança de evacuar os milhares que lá trabalhavam.


Dornelas que não se preocupa com coisa nenhuma deitou as mãos à fronte. A dor dos Americanos não chegava cá. É lá muito longe a América dos sonhos perdidos. Mas saber de que maneira o género humano pode ser vil, parcial, masochista...
O ser humano, sabia-se, era capaz do pior. Mas desta maneira? Um dardo lançado sem complacência no coração de Nova Iorque, da América, do mundo desenvolvido. Não se sabia então o alcance da catástrofe. Soube-se apenas depois, e os frutos, esses, continuam a colher-se hoje, amargos. As crises vieram pouco depois, uma depois da outra. Sucederam-se governos, guerras, boicotes, manifestações. E tudo deu em nada. Como sempre. Da guerra não se espera outra coisa senão NADA.
Dois anos depois e ainda se tiravam corpos dos escombros. Despedaçados por um ímpeto assassino. Nos lábios dos pilotos ao improviso a palavra Deus. Jihad. Guerra santa. Mas Deus nada tem a ver com a equação.
Mesmo os 7500 soldados mortos nas acções militares despoletadas subsequentemente nada tinham a ver com isto. NADA. Mas numa guerra de titãs onde não há razão, numa guerra de elefantes quem paga? Quem mais sofre? A erva. O piso calpestado por quem do nada começou o que não deveria nunca ter começado.
E assim foi, há dez anos atrás fez-se história. A face de Nova Iorque e a maneira como o mundo encarava o "outro" mudou para sempre. Os aeroportos passaram a ser mais vigiados, o ser humano começou, naquele dia, a temer-se como nunca.
E vivemos nós, dez anos depois, filhos desse medo. Outras gerações virão e herdarão de nós o que lhes deixarmos: um mundo assustadiço, incrédulo, com medo de si, disposto a abater, literalmente, tudo o que constituir uma ameaça.
O mundo ainda se não refez. Como a imagem documenta, assim me parece o mundo. Em escombros. Por quanto tempo não o sei. O mundo continua a não acreditar e a desejar que não tivesse acontecido, ou que acorda daqui a pouco e tudo não passou de um sonho mau.
Aqui estou também eu, em Dornelas, como há dez anos atrás, a escrever sobre o evento mais significativo do inicio do milénio. E aqui, como sempre, espero do "mundo", uma outra revolução, uma revolução que não venha do exterior, nem de barco nem de avião, uma mais subtil, que tem que acontecer em cada um de nós, para que sejamos nós a mudar o mundo, não na grandeza de um acto, mas na pequenês do que cada um faz, diariamente.
Oxalá (contracção de duas palavras árabes que significam, Assim Deus queira.)
Oxalá


Há coisas fantásticas não há?

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